Espaço destinado para analisar e discutir vida e obra de Maria Teresa Horta!
quarta-feira, 16 de maio de 2012
DOIS POEMAS
AMOR SEM RAZÃO
Meu amor quem disse
ao pé de ti o medo
ou pôs a ausência daquilo que
faço
se longe de ti impeço o começo
ou junto de ti me ergo e renasço
já nada é razão
quando esta é segredo
ou quando a razão é corpo e desfaz-se
razão do teu sono
por entre os meus dedos
razão do teu hálito
por entre os meus braços
in «Amor Habitado», pág. 31
CLIMA
Neste clima de armas
submersas
de silêncios calados
bocas crespas
de já grandes coragens
e vontades
de já claridade
e já certeza
Neste clima espesso
grosso
enorme
ao tamanho dos olhos - temperatura
à exacta liberdade retomada
uma espécie de grito
e de sutura
Este clima ferida
cerco
incerto
a avolumar na pele cada
dia
este clima punho
Quente
aberto
do brusco despertar
e de rotura
Clima que no homem acontece
e nele se empreende
numa luta
in «Amor Habitado», pág. 71
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